sábado, 24 de julho de 2010
Minha voz continua a mesma...
Momento 1- Ligo para um amigo muito antigo para desejar feliz aniversário. Ele atende com uma voz meio sonolenta e quando eu me identifico sinto que ele estava sorrindo do outro lado.
- Nossa! Essa voz tão presente no meu passado invadindo meu dia de trabalho!
Depois de aproximadamente 2 minutos de : Como vão as coisas? O que tem feito? Dá um beijo na sua mãe. Escutei uma frase que me deixou muito feliz: - Fala para o seu marido que ele é um cara de muita sorte.
Neste momento invadiram a minha cabeça as lembranças das tardes na JEAG onde falávamos sobre quem queríamos ser no futuro, na “grande preocupação” se iríamos para o shopping ou para casa de alguém escutar música e jogar conversa fora.
Momento 2- Após visitar a neném de uma amiga querida que eu não via desde o casamento as 2 horas no trajeto da Barra a Botafogo foram um turbilhão de lembranças. A Maria é a minha amiga dos tempos de balada. Ela estudava várias línguas e adorava viajar. Sempre imaginei que ela ia ser a super executiva assim tipo workaholic. Saíamos praticamente todo fim de semana,algumas vezes para paquerar mas na maior parte somente para dançar e se divertir. Passei em frente de vários lugares que fomos juntas e não existem mais. Lembrei dos sorrisos, do meu enjôo dentro do navio escola francês e até das lágrimas por algumas pessoas que passaram nas nossas vidas e não nos mereciam. Naquela tarde encontrei a Maria, não a executiva, mas a mãe da Sophie se preparando para mais uma viagem : a de visitar a família do marido na Holanda.
Passei na casa da mãe da Maria para deixar uma “encomenda” e reencontrei ninguém menos que Laurindo Patoca, o Husk que eu vi bebê e parecia um bicho de pelúcia e agora está a cara do Jacob (lobisomem da saga Crepúsculo). Lembrei de quando ele comeu um blazer de linho meu. Achei fofo quando ele fez festa quando veio me cumprimentar como mesmo depois de vários anos de desculpasse pela travessura.
Hoje acordei pensando o quanto fui feliz e me senti muito sortuda por várias pessoas especiais terem passado na minha vida e mesmo depois de tanto tempo ter e ter deixado tantas lembranças boas.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Um ano depois...
São Paulo, 15 de Agosto de 2009.
Vim a Sampa para fazer meus exames demissionais.
Um misto de alívio e desespero. Alívio pois estou oficialmente desligada da empresa que estava me deixando extremamente infeliz. Desesperada pois falta exato um mês para o casamento, estou com várias dívidas, acabei de entregar o carro da Sebia e estou começando em um emprego onde terei um salário bem menor que eu tinha.
São Paulo, 15 de Agosto de 2010.
Estou no aeroporto de Congonhas, voltando do treinamento da Roche.
O sistema de som do aeroporto está me enlouquecendo. Não param de anunciar vôos!!!!!
O treinamento foi maravilhoso! Novas idéias, novos contatos e novos desafios.
Ainda estou no emprego onde ganho muito menos do que eu mereço mas que gosto muito do trabalho.
Estou morrendo de saudades de casa! 4 dias fora de casa doem muito mais depois do casamento. Saudades da minha casa, da minha mãe e do Léo.
Hoje completo 11 meses de casamento e o Léo está me aguardando para comemorarmos.
Tenho certeza que sou a pessoa mais feliz e sortuda de ter casado com o Léo.Essa foi a escolha mais acertada que eu fiz na minha vida. Tenho o bibi (o MEU carro), alegria, paz e muito amor na minha vida.
Não acredito em coincidências, a vida me colocou no mesmo lugar onde eu estava a um ano atrás para me mostrar que a vida segue e sempre existirão dias muito melhores e felizes.
domingo, 28 de março de 2010
Sobre fé e honestidade
Em tempos de assaltos costumava embrulhar dinheiro em um guardanapo e guardá-lo na calçinha. Um dia em uma visita a um cliente em Petrópolis fui ao banheiro e esqueci o meu “embrulhinho” com 200 reais dentro do banheiro. Só fui perceber o esquecimento quando já estava em casa no Rio. Senti meu coração doer de verdade. Mas como a esperança é a última que morre liguei para o cliente e foi grande a minha surpresa quando me identifiquei e a recepcionista falou: “fique tranqüila, está aqui.” Ela tinha me visto sair do banheiro e entrou logo depois encontrando o embrulho. Como se não bastasse isso ela depositou o dinheiro na minha conta. Legal, né?
Mas esse sábado uma situação mais incrível aconteceu. Fomos almoçar no shopping de táxi. Na hora que o Léo foi pegar a carteira descobriu que esta tinha caído no táxi. Pegamos o táxi na rua e não tínhamos a placa. Aí a minha mãe começou a rezar, pedir para tudo que é santo para a carteira aparecer. Ela disse que não era hora de desespero e sim de ter fé que a carteira ia aparecer. Tivemos a idéia de voltar ao lugar que descemos do táxi com a esperança dela ter caído no caminho e ninguém ter pegado. Qual foi a nossa surpresa quando vimos o nosso táxi parado. O motorista disse que viu a carteira e procurou algum telefone para nos ligar e como não tinha ficou nos esperando voltar para entregar a carteira. Fico feliz em saber que ainda existe gente honesta.
O Pudim de Marta Medeiros

Pudim de sobremesa
Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir Pudim de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.
Um só.
Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado,
mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar
prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro
um sofá pra eu ver Crepusculo,
uma caixa de trufas bem macias
e o Cauã Reymond, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . ..
Marta Medeiros
sábado, 27 de março de 2010
A escuridão eterna de mentes sem moral
Lembro que o caso da menina Isabella mexeu muito comigo. Quando o caso Nardoni aconteceu, eu me perguntei se seria capaz de tal ato. Na época eu fazia terapia e a psicóloga me explicou que pessoas normais, em alguns momentos, têm vontade de bater e até matar, mas uma vez bem ajustados psicologicamente temos uma força dentro de nós que nos impede de fazer isso.
Acompanhei o processo e o julgamento e tive a certeza de que Alexandre e Anna Carolina são pessoas doentes não só pelo ato de matar a menina, mas pelo cinismo de negar até o fim fatos que estavam mais que provados, colocar em dúvida a capacidade de profissionais sérios e até o final massacrar a mãe da menina.Li o veredicto e fiquei feliz do casal ser culpado pela morte de Isabella, por manipulação de provas e principalmente pelo sofrimento causado a família da menina. Quatro anos atrás sofri de estresse pós-traumático e não desejo isso para ninguém. O mundo perde o brilho, nada mais faz sentido e o que mais precisamos e de estar perto de pessoas amigas. Isolamento? Pode ser mortal.
Essa semana estive nas mãos alguns textos sobre ética e um deles dizia “conhecer o que é correto não implica a tendência para nos motivar a fazer o que é correto”. Pensei como queremos uma sociedade mais justa se insistimos em atitudes “não corretas”.
Li o livro “ Mentes perigosas” e a Dra. Ana Beatriz nos mostra que psicopata não é somente aquele mata criançinhas. É aquele que prejudica os outros sem nenhum remorso. É aquele que mata não só fisicamente, mas psicologicamente sem nenhum escrúpulo.São aqueles que manipulam a verdade as vezes de forma artística.Alguns exemplos são os mentirosos, estelionatários e pessoas que traem seus entes queridos. Uma frase comum dos psicopatas é: “você ta ficando louco(a)!” quando na verdade quem são os loucos são eles.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz
Escolhi ser uma pessoa honesta que ainda se indigna com falsidade, mentira e falta de caráter.
Escolhi ser uma filha dedicada.
Escolhi uma profissão que não me dá o retorno financeiro que eu desejava, mas mesmo assim escolhi ser perseverante e me especializar nela.
Escolhi ser uma esposa fiel e proteger meu lar acima de tudo
Abri meus olhos (e meu coração) e verifiquei que posso não concordar com as atitudes das pessoas e mesmo assim conviver com elas pacificamente.
Aí eu lembrei das palavras ditas por um amigo : “ A vida da gente é como um barco. A mudança em um pequeno ângulo pode nos levar para um porto completamente diferente.”
Sinceramente.... ACHO que cheguei em um bom porto.
Sou respeitada e tratada com carinho pelas minhas atitudes e isso é muito confortável.
Aí eu abro o meu blog e leio que “fiz um bem danado” a uma pessoa que não vejo há muito tempo somente com o que escrevi aqui. AÍ EU TENHO CERTEZA!
quarta-feira, 3 de março de 2010
Meu anjo da guarda
Eu tenho um monte... mas hj vou escrever sobre a comandante de todos eles.
Existe uma pessoa que a 30 anos dedica cada segundo da sua vida a minha felicidade: minha mãe.
Dizem que toda mãe é igual mas eu não concordo.
Já vi mães competirem com os filhos pelos mais fúteis assuntos. Mães que primeiro olham os seus umbigos depois para as necessidades dos filhos. Outras que tiram o feijão com arroz do prato dos filhos para comer caviar.
Mas não a minha mãe... além dos sacrifícios básicos que toda mãe faz pelos filhos (modificar o corpo, perder as noite de sono, blá,blá bla´....)
A minha:
dormiu em um quarto de criança durante anos para que eu pudesse ter o meu quarto;
Abriu mão de vários cursos para que eu tivesse uma educação melhor;
Fugiu de BH cinematograficamente para ter a certeza que íamos continuar juntas;
Acreditou em mim mesmo nos momentos em que nem mesmo eu acreditava;
Saiu de casa da casa dela para que eu tivesse a minha;
Mesmo cheia de dor e com a coluna fissurada me ajuda nos serviços domésticos.
É engraçado como trocamos idéias em silêncio e em vários momentos críticos da minha vida ela sabia que eu estava em perigo e rezava para mim.
As vezes estou em dúvida e penso e conversamos em pensamento
Quando vou fazer algo de errado é a figura dela que me aparece dizendo: “vc tem certeza que vai fazer isso?”
Hoje tenho a minha casa e a compreendo muito mais. A cada dia que passa acho que estamos e ficando mais parecidas.
Na falta do meu avô ela foi a única pessoa que poderia me levar ao altar.

Eu a amo e a admiro muito mais do que ela imagina.