domingo, 28 de março de 2010

Sobre fé e honestidade

Recentemente nas aulas de conversação em inglês falamos sobre o que nós faríamos se achássemos uma carteira na rua. Alguns colegas disseram que não devolveriam, outros disseram que procurariam o dono e devolveriam a carteira sem e o dinheiro e outros devolveriam a carteira com dinheiro e documentos.

Em tempos de assaltos costumava embrulhar dinheiro em um guardanapo e guardá-lo na calçinha. Um dia em uma visita a um cliente em Petrópolis fui ao banheiro e esqueci o meu “embrulhinho” com 200 reais dentro do banheiro. Só fui perceber o esquecimento quando já estava em casa no Rio. Senti meu coração doer de verdade. Mas como a esperança é a última que morre liguei para o cliente e foi grande a minha surpresa quando me identifiquei e a recepcionista falou: “fique tranqüila, está aqui.” Ela tinha me visto sair do banheiro e entrou logo depois encontrando o embrulho. Como se não bastasse isso ela depositou o dinheiro na minha conta. Legal, né?

Mas esse sábado uma situação mais incrível aconteceu. Fomos almoçar no shopping de táxi. Na hora que o Léo foi pegar a carteira descobriu que esta tinha caído no táxi. Pegamos o táxi na rua e não tínhamos a placa. Aí a minha mãe começou a rezar, pedir para tudo que é santo para a carteira aparecer. Ela disse que não era hora de desespero e sim de ter fé que a carteira ia aparecer. Tivemos a idéia de voltar ao lugar que descemos do táxi com a esperança dela ter caído no caminho e ninguém ter pegado. Qual foi a nossa surpresa quando vimos o nosso táxi parado. O motorista disse que viu a carteira e procurou algum telefone para nos ligar e como não tinha ficou nos esperando voltar para entregar a carteira. Fico feliz em saber que ainda existe gente honesta.

O Pudim de Marta Medeiros


Pudim de sobremesa

Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir Pudim de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.
Um só.

Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado,
mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar
prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro
um sofá pra eu ver Crepusculo,
uma caixa de trufas bem macias
e o Cauã Reymond, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . ..

Marta Medeiros

sábado, 27 de março de 2010

A escuridão eterna de mentes sem moral

Às vezes falamos: “Queria esganar fulano só um pouquinho”.
Lembro que o caso da menina Isabella mexeu muito comigo. Quando o caso Nardoni aconteceu, eu me perguntei se seria capaz de tal ato. Na época eu fazia terapia e a psicóloga me explicou que pessoas normais, em alguns momentos, têm vontade de bater e até matar, mas uma vez bem ajustados psicologicamente temos uma força dentro de nós que nos impede de fazer isso.

Acompanhei o processo e o julgamento e tive a certeza de que Alexandre e Anna Carolina são pessoas doentes não só pelo ato de matar a menina, mas pelo cinismo de negar até o fim fatos que estavam mais que provados, colocar em dúvida a capacidade de profissionais sérios e até o final massacrar a mãe da menina.Li o veredicto e fiquei feliz do casal ser culpado pela morte de Isabella, por manipulação de provas e principalmente pelo sofrimento causado a família da menina. Quatro anos atrás sofri de estresse pós-traumático e não desejo isso para ninguém. O mundo perde o brilho, nada mais faz sentido e o que mais precisamos e de estar perto de pessoas amigas. Isolamento? Pode ser mortal.

Essa semana estive nas mãos alguns textos sobre ética e um deles dizia “conhecer o que é correto não implica a tendência para nos motivar a fazer o que é correto”. Pensei como queremos uma sociedade mais justa se insistimos em atitudes “não corretas”.

Li o livro “ Mentes perigosas” e a Dra. Ana Beatriz nos mostra que psicopata não é somente aquele mata criançinhas. É aquele que prejudica os outros sem nenhum remorso. É aquele que mata não só fisicamente, mas psicologicamente sem nenhum escrúpulo.São aqueles que manipulam a verdade as vezes de forma artística.Alguns exemplos são os mentirosos, estelionatários e pessoas que traem seus entes queridos. Uma frase comum dos psicopatas é: “você ta ficando louco(a)!” quando na verdade quem são os loucos são eles.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz

Hoje acordei pensando nas escolhas que eu fiz na vida. Estava pensando se os caminhos que escolhi para seguir foram os mais corretos.
Escolhi ser uma pessoa honesta que ainda se indigna com falsidade, mentira e falta de caráter.
Escolhi ser uma filha dedicada.
Escolhi uma profissão que não me dá o retorno financeiro que eu desejava, mas mesmo assim escolhi ser perseverante e me especializar nela.
Escolhi ser uma esposa fiel e proteger meu lar acima de tudo
Abri meus olhos (e meu coração) e verifiquei que posso não concordar com as atitudes das pessoas e mesmo assim conviver com elas pacificamente.
Aí eu lembrei das palavras ditas por um amigo : “ A vida da gente é como um barco. A mudança em um pequeno ângulo pode nos levar para um porto completamente diferente.”
Sinceramente.... ACHO que cheguei em um bom porto.
Sou respeitada e tratada com carinho pelas minhas atitudes e isso é muito confortável.

Aí eu abro o meu blog e leio que “fiz um bem danado” a uma pessoa que não vejo há muito tempo somente com o que escrevi aqui. AÍ EU TENHO CERTEZA!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Meu anjo da guarda

Vc tem um anjo da guarda?

Eu tenho um monte... mas hj vou escrever sobre a comandante de todos eles.

Existe uma pessoa que a 30 anos dedica cada segundo da sua vida a minha felicidade: minha mãe.

Dizem que toda mãe é igual mas eu não concordo.

Já vi mães competirem com os filhos pelos mais fúteis assuntos. Mães que primeiro olham os seus umbigos depois para as necessidades dos filhos. Outras que tiram o feijão com arroz do prato dos filhos para comer caviar.

Mas não a minha mãe... além dos sacrifícios básicos que toda mãe faz pelos filhos (modificar o corpo, perder as noite de sono, blá,blá bla´....)

A minha:
dormiu em um quarto de criança durante anos para que eu pudesse ter o meu quarto;
Abriu mão de vários cursos para que eu tivesse uma educação melhor;
Fugiu de BH cinematograficamente para ter a certeza que íamos continuar juntas;
Acreditou em mim mesmo nos momentos em que nem mesmo eu acreditava;
Saiu de casa da casa dela para que eu tivesse a minha;
Mesmo cheia de dor e com a coluna fissurada me ajuda nos serviços domésticos.

É engraçado como trocamos idéias em silêncio e em vários momentos críticos da minha vida ela sabia que eu estava em perigo e rezava para mim.

As vezes estou em dúvida e penso e conversamos em pensamento
Quando vou fazer algo de errado é a figura dela que me aparece dizendo: “vc tem certeza que vai fazer isso?”

Hoje tenho a minha casa e a compreendo muito mais. A cada dia que passa acho que estamos e ficando mais parecidas.

Na falta do meu avô ela foi a única pessoa que poderia me levar ao altar.




Eu a amo e a admiro muito mais do que ela imagina.