Tenho um pai biológico que me doou o ½ do seu DNA( Deus que me perdoe, mas até o DNA dele veio com o gene da diabetes e da anemia falciforme) e um pai que me doou ¼ do seu DNA e tudo o que uma pessoa pode querer.
Minha mãe me contou que nas semanas que se seguiram ao meu nascimento foram as semanas mais felizes da vida do meu avô. Ele voltava do trabalho para “brincar” comigo. Não deixavam que os vasos tivessem flores murchas....
Foi meu primeiro namorado. Todos os anos no dia 12 de Junho ele me trazia flores.
Foi meu “vôtrocinador” sempre deixando as moedinhas dentro da gaveta para que eu comprar minhas coisinhas. Na infância comprava minhas revistas na faculdade comprava meus livros.
Ele foi minha referência masculina a vida toda. Ensinou-me lições de caráter, coragem e entusiasmo para o trabalho. Hoje em várias situações na minha vida o tenho como referência. Até na escolha do marido, acho que a personalidade do Léo é muito parecida com a dele.
No meu convite de casamento o nome dele está acompanhado da mais verdadeira que poderia ser escrita: Sempre presente. Entrei na igreja acompanhada da minha mãe por que não existe nenhum outro homem que merecesse essa honra.
Durante longo processo da doença dele perdi inúmeras vezes a paciência e hoje sei que isso foi o fruto de eu não aceitar o fato que em muito pouco tempo não o teria comigo.
Uma vez, um pouquinho antes de ele falecer ele me disse; “Nós brigamos muito , né?” E eu respondi: “Ainda bem que tivemos tempo de fazer as pazes”.
Por isso apoio a campanha de bons cuidados aos idosos, pois por mais chatos eles possam se tornar e por mais doloroso e trabalhoso o processo de cuidar de um idoso a dor de não tê-los por perto é muito maior.
